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16/10/2018

Cada vez mais cedo, brasileiros depositam confiança em previdência privada


Por conta da incerteza econômica no futuro, os brasileiros têm buscado cada vez mais na previdência privada uma promessa de segurança financeira. É o tão conhecido pé de meia, só que aprimorado. 
Aos 54 anos, a radialista Sebastiana Pereira de Melo, a Cida, resolveu fazer um plano de previdência privada, mas não para ela, e sim para o filho. Ela conta que começou a poupar em 2011, quando ele tinha 13 anos de idade, pensando no investimento nos estudos mais adiante. 

“Eu pago até hoje porque ele ainda estuda e não tem renda. Penso que ele poderia aproveitar para iniciar a vida profissional dele, depois que ele se formasse. Mas ainda não ocorreu, só daqui a dois anos”, relata. 
Cida diz que chegou a ler sobre o assunto antes de poupar pela primeira vez, e ficou sabendo do seguro por meio da própria imprensa, lendo em jornais e revistas. Em pouco mais de 7 anos, ela já depositou uma boa quantia, já que coloca na previdência aproximadamente 60 reais por mês. A radialista acrescenta que gostaria de ter começado bem antes. 

“Minha intenção era desde o início, quando ele nasceu. Acho que o ideal é desde o nascimento, mas eu não tive as condições financeiras para isso”, argumenta. 

Poupe, mesmo que seja pouco 

Para a especialista e educadora financeira Vivian Rodrigues, Cida está no caminho certo. “Os jovens têm os juros compostos e o tempo a seu favor. Quanto antes essa preocupação, ao lidar com o dinheiro, pensando no longo prazo, começar, melhor. Pois tem mais tempo do dinheiro trabalhando e gerando juros sobre juros. O mesmo que acontece com uma dívida que vai acumulando e ficando cada vez maior, o mesmo pode acontecer de formar positiva”, explica. 

As pessoas nem sempre começam a investir porque pensam que quantias menores não tratarão resultado no futuro. Vivian Rodrigues reforça que não importa o quão reduzido seja o valor aplicado, o importante é poupar. 

“É natural que muita gente não comece logo no primeiro salário achando que ganha pouco e que, por isso, não vai coneguir poupar pouco. É importante criar o hábito de iniciar esses investimentos logo cedo, mesmo que o valor não seja muito significativo, e à medida que o salário vai aumentando, que a carreira vai crescendo, a gente cresce também com esses aportes e com as possibilidades que vão ser adquiridas no futuro”, elucida. 

Crescimento
 
Segundo dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), as reservas aplicadas em seguros previdenciários passaram de R$ 319 bilhões em 2012 para mais de R$ 780 bilhões em 2018, o que mostra que em tempos de discussão e indefinição sobre a reforma da previdência, o seguro previdenciário tem sido uma importante alternativa. 

O professor Ailton Costa é representante do Sindicato dos Corretores de Seguros (Sincor) junto à Federação Nacional dos Corretores (Fenacor), no Rio de Janeiro. Ele explica que o modelo de previdência tradicional, feito junto ao governo, já é coisa do passado. 

“Isso não é uma exclusividade do Brasil. Países principalmente da Europa começam a experimentar um esgotamento do modelo de previdência pública. A previdência privada é, certamente, o modelo complementar mais adequado para não desamparar o cidadão no momento em que ele decidir aposentar as chuteiras”, expõe. 

Ailton costa fala sobre os principais benefícios do seguro previdenciário privado. “O mais importante desses benefícios é o fiscal. Isso não é generalizado, mas ele pode abater do imposto de renda aquilo que ele está contribuindo para a previdência complementar. Um outro benefício é que, após cumprir um período de carência combinado previamente com a empresa, ele pode sacar e sair com o dinheiro a hora que ele quiser”, afirma. 

Preocupação com o futuro 

O advogado Francisco Júnior é mais que precavido. Ele conta que paga três previdências: a do INSS, outra em um banco público e o seguro previdenciário privado. A principal preocupação, segundo ele, é com a saúde.

“Uso a previdência privada para segurança financeira e também para abater no imposto de renda. Já tem 8 anos que eu pago. Quando eu aposentar, quero ter uma segurança para poder viajar, pagar um plano de saúde. Quando se chega aos 60 anos, o plano de saúde dobra o valor, e a saúde no Brasil é muito precária”, avalia. 

Fatores que devem ser observados por quem pretende fazer o pé-de-meia como a Cida e o Francisco são as taxas de cada seguro, de forma a fazer o valor render mais. O professor do Sincor, c, explica que o dinheiro guardado debaixo do colchão não rende. 

“Se eu estou aplicando 10 e faço parte de um fundo que tem mais 10 aplicadores, então estamos aplicano 100. O poder de negociação do fundo é infinitamente maior neste caso”, analisa. 

Ponto de partida 

E você aí, ainda ficou na dúvida sobre fazer mais uma despesa mensal ou garantir o futuro? O analista e educador financeiro Giordano de Souza diz que aplicar em seguro de previdência é uma questão de disciplina e de saber que o benefício não virá a curto, mas sim a longo prazo. 

“Temos a tendência costumeira e comportamental de satisfazer sempre as necessidades imediatas. Diante de imprevisibilidades que ocorrem, nós então adaptamos o dia de amanhã para resolver o problema de hoje. Essa é uma lei universal dos seres humanos. Se eles estão preparados paras intempéries de amanhã, pode ser que amanhã não tenha tanto impacto assim. Daí a importância da educação e do planejamento financeiro”, conclui.

Fonte: Sagres por Johann Germano
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